“O novo mundo da mobilidade muda a filosofia de TI. Ela terá que deixar de ser altamente controladora”, alertou Nick McQuire, da consultoria IDC, durante a primeira conferência  “Consumerization Of IT”, ocorrida recentemente em Londres.

Até aqui, as discussões eram sobre permitir ou não que alguns aparelhos e sistemas próprios fossem usados nas empresas, com a TI sempre mantendo o controle central, explica McQuire. Compreensível. “Era um ato regulatório. Você não queria trancar todos os sistemas, mas precisava de segurança e políticas corretas”.

Mas a quantidade de funcionários que preferem trabalhar com seus próprios equipamentos e sistemas, às vezes até mesmo sua própria conta de armazenamento em nuvem vem crescendo exponencialmente. “Isso certamente traz riscos para a segurança e para os dados da empresa”, afirma McQuire.

“Às vezes as pessoas fazem isso porque o setor de TI tem sido muito lento para agir. Mas qualquer que seja a razão, é muito melhor ensinar o que funciona e permitir que façam a escolha deles. Só assim a TI estará à frente no jogo.”

A questão, é que o cenário cenário para o gestor de TI é bastante complexo. Quando considera a adoção de novas tecnologias ou de políticas para facilitar o uso de tecnologias e pessoas no trabalho, a TI identifica três barreiras principais:

• Segurança: o obstáculo mais mencionado em qualquer pesquisa sobre o tema, já que expandir as opções em dispositivos, serviços ou softwares pode abrir novas brechas na segurança de todo o sistema da companhia. O tipo e a sensitividade das informações em uma determinada companhia irão determinar sua capacidade de atender aos desejos dos funcionários por maior liberdade de escolher sua ferramenta de trabalho.

• Necessidade de suporte: se os funcionários tiverem mais liberdade para escolher suas soluções, a necessidade de suporte vai aumentar exponencialmente. Por essa razão, a maioria dos departamentos de TI apenas libera o uso de algumas soluções “por sua conta e risco”, com o funcionário responsabilizando-se pela configuração e manutenção do dispositivo ou software fora dos padrões.

• Custos: manter o parque tecnológico atualizado com o desejo dos funcionários requer aumento considerável no volume de renovações do equipamento e geraria custos proibitivos. O estudo levantou que a maioria das empresas realiza uma renovação do parque de máquinas uma vez a cada três a cinco anos.

Nick McQuire vê a consumerização como “uma grande oportunidade” para reduzir o custo de aquisição de aparelhos. Ajuda a inovação e aumenta a produtividade.

Mas o pesquisador também alerta que “riscos e desafios significativos” incluem definir quem é responsável por sistemas e dados, assim como custos e dificuldades associadas ao gerenciamento na área de tecnologia.

A consumerização de TI é “essencialmente uma força do bem. Mas tem que ser gerenciado de forma pró-ativa”, diz ele.

O departamento de TI precisa se preparar para mudanças entre seis a 12 meses, de acordo com o pesquisador, “muito mais rápido que o ciclo comum de planejamento de TI, de três a cinco anos”.

A IDC acredita que a consumerização vai ser uma tendência inevitável mais os próximos 5 anos, e os gerentes de TI, portanto, necessitam tomar importantes decisões e adotar um estratégia coerente a fim de lidar melhor com o seu impacto.

Para ajudar, a consultoria definiu cinco critérios importantes que a  TI precisa considerar quando  tratar consumerização. São ele:

1 – Avaliar o risco. O primeiro passo é reconhecer que há riscos associados com consumerização. Políticas de segurança existentes podem ser mantidas, ou elas precisam ser adaptada de acordo com as necessidades do negócio.

2 – Definir políticas claras, baseadas em perfis funcionais. O próximo passo deve ser a definição de uma política específica, baseada no perfil funcional dos funcionários, capaz de determinar  realisticamente quem precisa ter acesso ao que, em termos de dispositivos e aplicações. Os critérios para os estabelecimento das regras dependem muitas vezes da natureza do negócio da empresa . No entanto, na maioria dos casos, as políticas deverão cobrir do CEO até o recepcionista, sem ser demasiadamente severas.

3 – Reconheça que a política criada precisa ser dinâmica. O que funciona hoje pode não necessariamente ser a melhor opção daqui a três meses. Políticas, tecnológicas ou culturais, devem ser adaptativas, dinâmicas e ágeis para refletir elementos de mudança dentro organizações.

4 – Desenvolvimento de planos de contingência. A TI deve estar sempre pronta a responder á  pergunta “O que faremos se …?” e a todos os cenários de risco que consumerização traz.

5 – Treinamento e comunicação. Comunicar a política eficazmente ca todos os funcionários, para que eles estejam cientes e aceitem não só as regras de segurança da organização, mas também suas responsabilidades morais, funcionais, comportamentais e as consequências de uma negligência, é a chave do sucesso.

Fonte: CIO

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