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Outro assunto que eu já ouvi MUITAS vezes é a reclamação de técnicos em relação a algumas atitudes praticadas pelos dirigentes das empresas. Os dirigentes sempre cobram e/ou culpam os técnicos por qualquer problema que o produto da empresa venha a apresentar.

Mas será que esta atitude dos dirigentes está sempre correta?

Será que esta cobrança é sempre justa?

Pelo que eu já vi acontecer várias vezes, a resposta é NÃO.

NÃO, nem sempre está correta e nem sempre é justa.

E ainda digo mais. Em algumas empresas que conheci, a atitude dos dirigentes está quase sempre errada, mas a culpa é sempre dos técnicos. Nunca deles.  Evidente que em muitos casos a culpa pode ser atribuída aos técnicos, mas nem sempre estes são os responsáveis pelas falhas apresentadas pelos cartuchos quando do uso.

Para um dirigente, é muito fácil cobrar e/ou exigir que os produtos comercializados por sua empresa estejam entre os melhores do mercado. E quase sempre é essa a mensagem que ele passa para o mercado. Mas, na prática, o que vemos é bem diferente.

Abaixo, uma pequena lista das possíveis causas deste problema:

 TREINAMENTO

Muito fácil, cobrar excelência dos técnicos. Mas será que o treinamento adequado foi disponibilizado?

Para mim, é impossível esperar que um técnico sem um treinamento adequado seja capaz de produzir cartuchos de qualidade.

Vai ser quase uma loteria. Uma hora o produto sai bom e em outra, não funciona.

Para piorar. Sem o treinamento adequado, o técnico não vai saber o porquê das falhas.

Vai tentar corrigir por tentativa e erro.

E o resultado disso é quase sempre um desastre.

Já conheci técnicos extremamente interessados em melhorar, em poder apresentar sempre um produto de qualidade, mas esbarravam sempre na falta de informações, na falta total de interesse dos dirigentes em fornecer o treinamento adequado.

Um cartucho é composto de vários componentes internos e todos estes precisam ser compatíveis entre si para que o produto final apresente a qualidade esperada.

Um técnico sem o conhecimento das funções de cada componente, jamais terá a segurança necessária para garantir a qualidade final do produto que está manuseando.

 INSTALAÇÕES

Também é muito fácil cobrar qualidade de seus técnicos e esperar que ela seja alcançada enquanto estes trabalham em um ambiente de trabalho totalmente inadequado.

Já vi muitos ambientes de trabalho extremamente inadequados.

Já vi ambientes de trabalho nos quais somente um milagre permitia que os produtos que saiam de lá funcionassem.

Alguns dos ambientes de trabalho que já conheci ficariam entre os mais insalubres, pois os técnicos que lá trabalhavam por algumas horas, saiam totalmente cobertos por pó de toner.

E os dirigentes achavam que isso era totalmente normal. NÃO, não é.

Instalações adequadas e qualidade final dos produtos caminham juntas. Embora uma instalação inadequada possa produzir produto de qualidade, esta situação está longe da ideal.

Não é tão complicado oferecer uma instalação com condições mínimas de trabalho.

Aliás, se uma empresa quer ser reconhecida nesse mercado por possuir produtos de qualidade, instalações adequadas é um item obrigatório.

 EQUIPAMENTOS

Uma instalação para ser considerada adequada necessita, obviamente, de equipamentos adequados.

A quantidade destes vai depender do espaço disponível, mas existem alguns equipamentos chaves para o processo de recondicionamento que são praticamente obrigatórios.

Uma empresa que não os possua não pode exigir muito de seus técnicos.

Estação de limpeza, ferramentas adequadas para trabalhar os cartuchos, pontos de ar comprimido, aspiradores de pó com filtro especifico para pó de toner, itens de EPI, luvas, máscaras, aventais são alguns dos itens obrigatórios.

Sem um conjunto adequado destes, não há como cobrar qualidade total dos técnicos.

 LAYOUT

Além dos equipamentos minimamente necessários, um layout eficiente também é necessário para a produção de cartuchos de qualidade.

De nada adianta ter alguns equipamentos corretos e juntá-los todos em uma sala de pequenas dimensões e exigir qualidade de seus técnicos.

De nada adianta ter os equipamentos corretos e misturas as fases de produção uma com as outras.

Cada etapa da produção precisa ter uma área definida para a sua execução. E evitar misturar as diversas etapas pode ser um dos primeiros passos para a montagem de um Layout adequado.

 INSUMOS

Insumos corretos. Insumos adequados. Insumos específicos…..

Esta é uma das maiores reclamações dos técnicos.

Ao invés de comprar o insumo correto, a direção da empresa dá preferencia sempre ao mais barato.

E que quase sempre não funciona como deveria.

Ao invés de comprar o pó de toner específico para àquele modelo de impressora de alta velocidade, a direção dá preferencia ao pó de toner universal.

Ao invés de se preocupar em adquirir insumos que sejam compatíveis entre si, a direção opta sempre pelos mais baratos, que, na grande maioria das vezes, não funcionam bem quando colocados para trabalhar juntos.

Ao invés de recomendar sempre o recondicionamento, a direção, para economizar, incentiva a prática da recarga, a qual, além de se ser a causa da existência de produtos de péssima qualidade, foi o que fez o mercado ter ojeriza aos cartuchos recondicionados.

Nesse caso, a culpa pela má qualidade do cartucho jamais será do técnico e sim do responsável pelas compras de insumos inadequados.

Já vi, infelizmente, acontecer isso com muita frequência. Muita mesmo.

Em conversa com os dirigentes de várias empresas, explico sempre que não vale a pena comprar sempre os insumos mais baratos.

Qualidade tem um custo. Qualidade total tem um custo um pouco maior.

Optar sempre pelos insumos mais baratos do mercado é garantia apenas de produtos ruins. Qualquer cartucho produzido com os insumos mais baratos do mercado jamais poderá, na grande maioria das vezes, ser considerado como um produto de qualidade.

Mais de uma vez, ao acompanhar a produção de um determinado tipo de cartucho, para o qual já havia recomendado quais insumos utilizar, me deparei com resultados muito abaixo do esperado.

Ao questionar os dirigentes se eles haviam seguido as instruções passadas, a resposta sempre foi um não.

E as explicações são sempre as mais furadas possíveis.

– Eu comprei este ao invés daquele porque este estava 40% mais barato

– Eu usei este porque já tinha em estoque

– Foi o técnico que usou o insumo errado. E quando eu questionava o técnico, a resposta era justamente a oposta.

Mesmo mostrando a diferença entre o insumo errado e o certo, alguns dirigentes continuam optando pelo errado e quando o cliente reclama, devolve o produto ou muda de fornecedor, a culpa é sempre do técnico.

Existem vários fabricantes ou revendedoras de insumos no mercado.

A opção de compra de qualquer um deles deve seguir um critério técnico e não um critério financeiro.

Existem muitos insumos confiáveis. Muitos fabricantes estão há anos no mercado e seus produtos podem ser considerados de qualidade.

Entretanto o mesmo não se pode dizer de alguns outros fabricantes/revendedores. Embora estes digam que seus produtos são bons para qualquer modelo de cartucho, na prática, o resultado é bem diferente

E de vez em quando, insumos fabricados por bons fabricantes se mostram incompatíveis quando colocados para trabalhar juntos.

Já vi acontecer de pó de toner e cilindro de um dos bons fabricantes do mercado não trabalharem adequadamente juntos.

Ambos eram bons, mas quando colocados no mesmo cartucho, o resultado final era ruim.

Quando usados com outros cilindros e pós de qualidade, o resultado era completamente diferente.

Mas como diferenciar os insumos adequados dos de qualidade inferior?

Se o teste que você faz é a página de configuração da impressora ou testes com somente letras, achar um insumo confiável vai ser difícil.

Para conseguir determinar qual é o insumo correto para cada tipo de cartuchos, testes mais exigentes devem ser realizados.

EMBALAGEM

E, por fim, um item que quase sempre é desprezado por quase todas as empresas.

Quase todas dão preferência ao papelão micro ondulado e sem nenhum reforço interno que proteja o cartucho.

De nada adianta ter um produto de qualidade e não o embalar adequadamente.

Se todas as suas entregas são realizadas em um raio próximo de sua empresa e sempre por sua conta, é aceitável que a embalagem não seja das que mais protejam o cartucho em seu interior.

Mas, se os cartuchos serão despachados por qualquer meio, é imprescindível que a embalagem permita que o cartucho cheque ao destino em boas condições.

Embora o papelão micro ondulado seja o de menor custo, ele nem sempre é o mais adequado para o transporte de seu produto.

A EQual Consultoria está a disposição para te ajudar no treinamento de seus técnicos, na determinação dos equipamentos mínimos, do melhor layout para o espaço disponível, dos insumos corretos para qualquer modelo de cartucho. E a determinar qual a melhor embalagem para o seu produto.

Roberto A. Palmer

EQual Consultoria em Qualidade

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